Messi tem várias faces durante um jogo; veja como ele se comportou diante da Suíça
O Messi explosivo que arrancou aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação na terça-feira, na Arena Corinthians, e deu o passe preciso para Di María tocar no canto direito de Benaglio e garantir a Argentina nas quartas de final da Copa do Mundo não é assim o tempo todo. Pelo contrário, passa boa parte do tempo quieto. Parece estar fora do jogo.
Cabeça baixa, caminhando a passos lentos, praticamente nenhuma fala. É assim que o camisa 10 argentino, autor de quatro gols neste Mundial, comporta-se em campo. Quando levanta a cabeça, geralmente já tem a bola nos pés e é para ir para cima dos marcadores ou fazer um passe.
Tem muito a ver com Síndrome de Asperger da qual é portador, uma forma branda de autismo que se caracteriza, entre outros vários sintomas, pela grande capacidade intelectual de seus portadores.
Contra a Suíça, poderia ter chegado aos 400 gols na carreira, faltam dois - são 354 pelo Barcelona e 44 por seu país, sendo dois destes pela equipe olímpica, em Pequim-2008. Justamente contra a rival em que marcou três vezes em um mesmo jogo com a camisa albiceleste pela primeira vez - nos 3 a 1 de fevereiro de 2012, em amistoso disputado na Basileia, casa vermelha.
Mas diferentemente das três partidas anteriores nesta Copa, quando deixou sua marca em todas, não conseguiu. Passou em branco, mas nem por isso deixou de ser o protagonista. Foi o responsável direto pela jogada que acabou com a bola nas redes e com a vaga de seu país para a próxima fase da competição. Foi 'garçom', serviu. Foi pela quarta vez em quatro jogos eleito o "Homem do Jogo" da Fifa.
Messi caído após jogada de ataque que deu errado
Messi, 27 anos, usa a braçadeira alviceleste, mas quase nunca fala em campo. É o "capitão do silêncio", jamais chama a atenção de um companheiro, papel desempenhado por Mascherano. É líder pelo status e pela bola que joga, não por ter o poder de inflamar seus companheiros com uma bronca, por exemplo.
Mesmo jogando às 13h (de Brasília), o quatro vezes seguidas melhor jogador do mundo para a Fifa, de 2009 a 2012, não sofreu do problema que lhe é comum: vomitar em campo. Fez, no geral, uma partida discreta, mas ainda assim várias das principais chances da Argentina tiveram a sua participação.
Mas o pacato Messi também, de vez em quando, bem de vez em quando, explode de nervosismo, algo que os suíços Behrami e Inler podem atestar. E como bom argentino, logo sul-americano, sabe que há momentos em que a catimba ajuda. E a pratica.
O ESPN.com.br grudou os olhos em Lionel Messi nos poucos mais de 120 minutos em que ele esteve em campo na vitória da Argentina sobre a Suíça, pelas oitavas de final da Copa. Abaixo, você vê como o camisa 10 comportou-se ao longo da partida.
Esposa, Antonella Roccuzzo, e filho, Thiago Messi, no jogo
Primeiro tempo
Lionel Messi posicionou-se no círculo central e deu o pontapé inicial do jogo entre Argentina e Suíça. Foram, então, 18 minutos até que ele tentasse algo de produtivo: fez um lançamento em profundidade para Di María, mas a bola foi muito forte e saiu pela linha de fundo.
Lionel Messi posicionou-se no círculo central e deu o pontapé inicial do jogo entre Argentina e Suíça. Foram, então, 18 minutos até que ele tentasse algo de produtivo: fez um lançamento em profundidade para Di María, mas a bola foi muito forte e saiu pela linha de fundo.
Aos 20, o primeiro lance tipicamente do camisa 10. Ele pegou a bola na direita do ataque argentino, carregou para a linha lateral e, sozinho, não pensou duas vezes: partiu para cima, driblou Behrami e colocou a bola na frente de Rodriguez, mas o suíço jogou o corpo em cima do argentino e o impediu de adentrar a área. O juiz sueco Jonas Eriksson, no entanto, nada assinalou.
Aos 24, Messi livrou-se de dois marcadores e tentou enfiar a bola no meio da zaga suíça à procura de Higuaín, mas o passe saiu fraco e facilitou o corte dos rivais. Aos 25, ele cobrou falta na área na cabeça do camisa 9, que, meio de lado, mandou por cima do gol de Benaglio.
Messi só olha
Aos 26, no lance de maior perigo da Suíça até então, o capitão argentino estava parado do lado direito da defesa, apenas olhando. Aos 37, quando Lavezzi fez excelente jogada pela esquerda do ataque e invadiu a área, Messi já estava posicionado entre a marca do pênalti e a pequena área, mas a bola não não chegou.
Aos 26, no lance de maior perigo da Suíça até então, o capitão argentino estava parado do lado direito da defesa, apenas olhando. Aos 37, quando Lavezzi fez excelente jogada pela esquerda do ataque e invadiu a área, Messi já estava posicionado entre a marca do pênalti e a pequena área, mas a bola não não chegou.
Aos 41, ele fez bela jogada pela direita do ataque e passou para Di María, que tentou de primeira, mas praticamente recuou para Benaglio. Aos 44, recebeu na meia-lua e enfiou bela bola para Rojo, que entrou na área em profundidade pela esquerda, mas não foi feliz no cruzamento
Já cansado, Messi lamenta erro contra a Suíça
Segundo tempo
Após 15 minutos de muitos e muitos passos curtos, apenas caminhando em campo, Messi apareceu. Ele disparou para dividir uma bola no campo de ataque, chegou muito antes de Schaer e tomou a falta do zagueiro, providencial, aliás, caso contrário teria ficado cara a cara com o goleiro suíço.
Após 15 minutos de muitos e muitos passos curtos, apenas caminhando em campo, Messi apareceu. Ele disparou para dividir uma bola no campo de ataque, chegou muito antes de Schaer e tomou a falta do zagueiro, providencial, aliás, caso contrário teria ficado cara a cara com o goleiro suíço.
Aos 17, ele abriu ótima bola para Rojo cruzar e ver Higuaín cabecear para a excelente defesa de Benaglio, que mandou para escanteio. Aos 20, Messi pegou a bola já rente à linha de fundo, pelo lado direito do ataque, e fez ótima jogada individual para cima de dois marcadores, passou, mas cruzou em cima de um suíço.
Messi erra o alvo
Aos 22, a bola sobrou para ele na entrada da área, na meia-lua, mais precisamente. Ajeitou no peito, deixou ela cair e emendou para o gol, em jogada plasticamente muito bonita, mas cuja conclusão saiu por cima do gol, mas assustando o arqueiro europeu e levantando a torcida argentina.
Aos 22, a bola sobrou para ele na entrada da área, na meia-lua, mais precisamente. Ajeitou no peito, deixou ela cair e emendou para o gol, em jogada plasticamente muito bonita, mas cuja conclusão saiu por cima do gol, mas assustando o arqueiro europeu e levantando a torcida argentina.
Messi tenta passar por Mehmedi (18) e Djourou
O tempo passava, a angustia aumentava, e nada de gol. Aos 30, Messi cruzou da esquerda na cabeça de Palacio, que acabara de entrar no lugar de Lavezzi, mas o atacante mandou para fora.
Aos 32, a bola sobrou para o camisa 10 já na linha da grande área. Ele, então, deu dois cortes para a esquerda, em profundidade, e bateu rasteiro, levando Benaglio a fazer ótima intervenção no chão.
Messi também erra
Aos 36, Messi errou duas vezes. A primeira em uma cabeçada lateral, quando tentava um passe, e a segunda quando tentou o drible e jogou-se tentando cavar uma falta na entrada da área que Eriksson ignorou.
Aos 36, Messi errou duas vezes. A primeira em uma cabeçada lateral, quando tentava um passe, e a segunda quando tentou o drible e jogou-se tentando cavar uma falta na entrada da área que Eriksson ignorou.
Messi sofreu falta de Behrami e ficou bastante irritado
Messi também se irrita 1
Aos 42, recebeu de costas para o gol e foi derrubado por Behrami. O suíço de cabelo descolorido tentou atrapalhar a cobrança rápida do argentino, que ficou irritado e o empurrou. O rival aproveitou para valorizar e se jogou, pedindo cartão para o adversário. O juiz não caiu na simulação.
Aos 42, recebeu de costas para o gol e foi derrubado por Behrami. O suíço de cabelo descolorido tentou atrapalhar a cobrança rápida do argentino, que ficou irritado e o empurrou. O rival aproveitou para valorizar e se jogou, pedindo cartão para o adversário. O juiz não caiu na simulação.
Aos 44, Messi dominou ao seu estilo na esquerda do ataque e partiu da intermediária em diagonal. Deixou Behrami e Fernandes para trás, invadiu a área e passou a bola para Palacio, que, de costas, não conseguiu dar sequência à jogada.
Aos 47, já nos acréscimos, a Suíça levantou bola na área e assustou a Argentina. E Messi, o que fazia nesta hora? De cabeça baixa, estava próximo ao círculo central, parado, apenas observando.
Messi também se irrita 2
Quando o juiz apitou o fim do tempo normal, o capitão da Suíça, Inler, falou algo para Messi e passou a mão direita por trás das costas do argentino, como que para resolver algo ocorrido no campo. Irritado, o camisa 10 mostrou a perna direita e arrancou a mão do adversário de suas costas.
Quando o juiz apitou o fim do tempo normal, o capitão da Suíça, Inler, falou algo para Messi e passou a mão direita por trás das costas do argentino, como que para resolver algo ocorrido no campo. Irritado, o camisa 10 mostrou a perna direita e arrancou a mão do adversário de suas costas.
De novo no círculo central, agora para o início do primeiro tempo da prorrogação, Messi recebeu o toque de Palacio e deu sequência jogando a bola para o seu campo de defesa.
Messi também faz falta
Messi abraça Di María após o gol da classificação
Aos 3 minutos, ele vacilou e perdeu a bola no círculo central para Behrami. Sem nenhuma hesitação, empurrou o camisa 11 rival com as duas mãos, mas o juiz sueco, aproveitando que a bola ficou com os europeus, nada fez. E também não puniu o camisa 10 quando a bola parou.
Aos 13, Messi entrou na roda de toques do time suíço pela esquerda do ataque e teve de ouvir a torcida brasileira gritar por bons segundos "olé, olé, olé". Reagiu de maneira normal, sem mostrar qualquer reação adversa.
Na etapa final da prorrogação, o camisa 10 pegou a bola na intermediária aos 6 minutos, pela esquerda do ataque, carregou a bola protegendo-a como lhe é peculiar e entrou na área, mas na hora que tentou mandá-la para o centro a viu bater no paredão vermelho.
Messi é Messi
Exatamente aos 12 minutos e 31 segundos, a bola chegou até ele na intermediária do ataque argentino. Messi disparou, deixou o zagueiro suíço Schaer no chão e na altura da linha da meia-lua apenas rolou para a direita, onde Di María entrou livre para dar um tapa na bola de primeira e mandá-la no contrapé de Benaglio, garantindo a vitória e a classificação argentina para as quartas de final.
Exatamente aos 12 minutos e 31 segundos, a bola chegou até ele na intermediária do ataque argentino. Messi disparou, deixou o zagueiro suíço Schaer no chão e na altura da linha da meia-lua apenas rolou para a direita, onde Di María entrou livre para dar um tapa na bola de primeira e mandá-la no contrapé de Benaglio, garantindo a vitória e a classificação argentina para as quartas de final.
No vestiário, Messi celebra com Lavezzi (centro) e Di María
Aos 15, quando Dzemaili cabeceou livre na pequena área e mandou a bola na trave, o camisa 10, desta vez, dada a situação tensa e o momento da partida, não estava no meio de campo. Estava dentro da área, mas, no lance, foi apenas coadjuvante, só podendo observar.
Messi também catimba
Já nos acréscimos, aos 17, o camisa 10, fugindo ao seu estilo introvertido, catimbou na cobrança de falta da Suíça no meio de campo. Parado em frente a bola e a Inler, acenava ao juiz Eriksson pedindo que a mesma fosse colocada um pouco mais para trás.
Já nos acréscimos, aos 17, o camisa 10, fugindo ao seu estilo introvertido, catimbou na cobrança de falta da Suíça no meio de campo. Parado em frente a bola e a Inler, acenava ao juiz Eriksson pedindo que a mesma fosse colocada um pouco mais para trás.
Messi também festeja
Apito final, desolação suíça e festa argentina. Messi abre o sorriso, levanta a cabeça, desta vez não para partir contra algum marcador ou para fazer um passe, mas sim para abraçar seus companheiros e respirar aliviado. Ele, em um dia de apresentação comum, e Di María, outro em dia apenas razoável, colocaram a Argentina nas quartas de final da Copa.
Apito final, desolação suíça e festa argentina. Messi abre o sorriso, levanta a cabeça, desta vez não para partir contra algum marcador ou para fazer um passe, mas sim para abraçar seus companheiros e respirar aliviado. Ele, em um dia de apresentação comum, e Di María, outro em dia apenas razoável, colocaram a Argentina nas quartas de final da Copa.
"Sou ó mais um no grupo, que é espetacular. Todos se dão bem, têm a mesma visão, que é a vontade de conseguir o máximo para a seleção e para o país", afirmou o camisa 10, novamente minimizando sua importância individual e dando ênfase ao coletivo.
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